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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BROOKLIN NOVO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Música, Livros MSN - jesterdrigo@hotmail.com
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Modéstia à parte, passei dos 1000
Vi ontem na TV a eterna luta do Romário para atingir seus 1000 gols na carreira. De preferência antes de se mudar para o Asilo santa Genoveva. É uma obsessão até que saudável, mas o que me deixa cabrero é a contabilidade romariana: conta gol no dente de leite, gol em treino, até gol em jogo contra os "Amigos do Luisinho" (uma potência futebolísta que eu devo não conhecer, por certo)!!!!
Pô, pensando aqui com meus botões e o resto da camisa, cheguei a uma impressionante marca: passei dos 1000 gols na carreira!!! Sim, eu, 35 kg acima do peso, 10 anos a menos que o Romário, com joanetes nos pés, asma, miopia e uma completa inaptidão para a prática futebolística, tenho até um punhado de gols além dos 1000 para dar de lambuja ao passado craque Romário.
Para garantir a lisura da minha contabilidade, e visando um cheque ou coisa que o valha da Fifa, usei o método Romário de contar gols. Então, vamos ao demonstrativo:
Gols em churrascos e eventos de colegas: 78
Gols em partidas de Winning Eleven: 92
Gols em partidas de Fifa Soccer (olha lá, gols com a marca Fifa!!): 112
Gols em partidas de botão: 109
Gols em partidas de pembolim: 200
Gols em disputas de peteleco (aquele que um camarada faz as traves com as mãos e você dá um peteleco em bolinha de papel): 97
Gols em partidas na hora do recreio, disputadas com potinhos de Dan'up: 87
Gols em partidas de caixote: 69
Gols em partidas de gol a gol (quando os moleques do prédio não estavam e só tinha uma pessoa pra jogar): 321
Gols marcados durante as noites em que sonhei ser craque do Palmeiras: 345 (sem contar que faturei 5 Libertadores, 4 mundiais e 7 brasileiros pro verdão)
Total geral: 1.510 gols
Em suma:
Romário = relíquia Rodrigo = Deus
CHUPA ROMÁRIO!!!!!!!!
Escrito por Rodrigo Leme às 17h03
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Injustificável
O que me mata não é o fato, mas sim as jutificativas. A pessoa faz algo que:
a) é errado; b) é feio; c) é imbecil; d) é sujo; e) é tudo isso
e ainda por cima faz 1000 rodeios para justificar a obra. Ocupam espaço no meu concorrido ouvido elaborando justificativas construídas em volta do desastre, como se colocar uma moldura em volta de papel higiênico tornasse cagar em uma arte.
Estava vendo TV, mais especificamente a MTV (sim, eu sei; eu procuro...) em um especial provavelmente sobre alguma Fashion Week, pois conversaram com vários estilistas participantes e celebridades made in MTV (o que é o mesmo que dizer que você não as reconheceria na rua).
O rol de justificativas para aquele monte de trapo feio desfilando na passarela era um show de invenção. Eram tantas e tão estrombólicas (cheque o dicionário) que pensei o que esse povo não conseguiria fazer se usasse esse poder criativo para realmente trabalhar. Ninguém seguraria esse país.
Entre as melhores que eu vi, incluem-se estas abaixo, com a devida tradução. Pode ser que uma ou outra não esteja 100% correta, ou que eu coloque alguma que ouvi em algum lugar que não a MTV. Se a emissora quiser me processar, só digo isso: pula no meu peito, porra!! Enfim, vamos:
"Eu nunca sei bem o que vou fazer. Escuto uma música e deixo ela me levar" TRADUÇÃO: "Deixei para fazer de última hora, fiz a primeira coisa que me veio na cabeça e se alguém não gostar, a culpa é da música."
"Eu tentei fazer algo retrô, uma linha que remetesse aos anos 70, mas com um toque futurista, tipo Matrix" TRADUÇÃO: "Copiei um estilista antigo; para não dar na cara e dizer que sou 'futurista tipo Matrix', taquei um óculos escuro"
"Moda não tem regra" TRADUÇÃO: "Se tivesse que fazer roupa para vender na loja, morreria de fome"
"A tendência nesse verão são cores claras e roupas largas" TRADUÇÃO: "Primeiro eu faço a roupa, depois digo que a tendência é o meu estilo"
Tinha até uma dessas colunistas de moda falando algo como:
"A grande diferença de estilos se deve a termos grandes estilistas aqui hoje" TRADUÇÃO: "Se eu parar de elogiar, perco minha pulseira da área VIP"
E as modelos? É covardia, mas...
"Não queremos ser padrão para a sociedade, sabemos que temos um papel de influência junto às meninas, mas nunca apoiamos a anorexia" TRADUÇÃO: ...
Eu sei, eu sei, fazer piada com burrice de modelo é clichê. mas veja bem, eu estou voltando depois de muito tempo sem escrever, aí a gente fica meio sem idéias, precisa desenferrujar o cérebro...entendam. TRADUÇÃO: Estou sem idéias, por isso me agarro desesperadamente a todos os clichês de piada que posso. Acostumem-se.
Escrito por Rodrigo Leme às 11h12
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Revoltando
Seguinte: com um mínimo de alarde, estamos de volta. Não vou transformar isso em diário, até porque estou mais bem resolvido hoje e quero usar esse espaço para divulgar meus textos, e principalmente para me estimular a voltar a escrever. Minha vida está boa demais pra reclamar dela aqui.
Nos próximos dias, eu dou um tapa no visual. Adoro meu Patolino versão jester, mas já está aqui há uns 3 anos. Hora de mudar. Ou, como dizem os publicitários do pequeno varejo, "um novo conceito" de visual do blog.
É isso. Mais notícias nos próximos dias.
Escrito por Rodrigo Leme às 22h12
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DIFERENTE É SUA NAMORADA VIRAR LÉSBICA
O título é uma referência a esse povo "descolado" que gosta de tudo "diferente", "novo". É o que sempre digo: quero ver a sua namorada virar lésbica para você dizer que gosta de coisa diferente. Isso porque nem baixei o nível e pedi pra dar a bunda pra ver se é bom (opa, falei).
A Brasil 2000 entrou nessa de uma programação com bandas novas, coisas tipo Strokes, White Stripes, Kings Of Leon; ou seja, coisa que só excita os Lúcios Ribeiros da vida. Finalmente percebi a relação: a Brasil 2000 é a Nova Schin das rádios: você experimenta, vê que é uma bosta e nunca mais volta.
NP: Peter Gabriel, Up - My Head Sounds Like That
Escrito por Rodrigo Leme às 13h33
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LISTA DE PRESENTES
Dia 3 último foi meu aniversário, e a galerinha compareceu em peso pra minha festa no Bartholomeu. Gostaria de agradecer a todos pela presença e presentes. Para quem tem curiosidade, o que ganhei de aniversário:
.: Peter Gabriel - UP (CD) e GROWING UP LIVE (DVD) Fazia tempo que não ouvia uma obra-prima do Peter Gabriel. Por mais que THE STORY OF OVO fosse um disco com conceito e músicas legais, não tinha pinta de clássico. UP tem essa pinta e mais. É um disco de clima e arranjos fantásticos, emoção transpirando em cada segundo de disco, e o cara cantando como nunca. Para acompanhar, o DVD ao vivo da tour do disco é sobrenatural. Voltando a fazer grandes shows depois da SECRET WORLD TOUR em 1994, a performance é de cair o queixo, com todas as extravagâncias que um show do cara permite. Cada vez mais não sei se ele é um grande produtor visual que faz grandes músicas ou um grande músico que faz grandes produções visuais.
.: JACKASS THE MOVIE Meu lado "irracional" precisava desse filme. É tão ultrajante, tão nojento, tão deturpado que ao mesmo tempo é clássico. Cheguei a lembrar dos tempos de FACES DA MORTE, onde a gente achava o filme em qualquer locadora e assitia junto com os amigos. JACKASS é ideal para aqueles momentos em que você quer desligar o cérebro. O mais legal é que a versão brasileira tem todos os features da original, ao contrário de TIROS EM COLUMBINE, do Michael Moore, que saiu sem muitos dos features no Brasil.
.: Dr. Sin - 10 ANOS AO VIVO (CD e DVD) Não é um puta show, mas eu estava lá, e é legal lembrar daquele show, que teve seus grandes momentos. O DVD é "honesto" na edição, sem grandes firulas, e a performance é uma das melhroes que a banda já entregou. O problema é que sempre sinto que a banda é meio preguiçosa, que não trabalha de acordo com o talento que tem, então o show raramente empolga.
.: Wilton Carvalho - DEMO ILÍACO Esse ganhei da mão do próprio artista, um dos meus ídolos. O Wilton cuida de sax, flauta transversal, bateria, guitarra (fretless e fretted), laska (também conhecido como "linguafone", ou simplesmente "aquele som que faz quando você bate nas bochechas, só que mais trampado"), percussão e voz. As músicas são uma mistura de experimentalismo Zappiano / Frippiano, com melodias sensacionais (as suítes de violão clássico são fantásticas). Quem quiser uma cópia da criança, mandar um e-mail para musica_universal@hotmail.com. Vou ver se coloco umas 2 faixas aqui no blog para apreciação do povo.
Ainda tenho 1 vale-presente da Saraiva e 1 DVD pra trocar lá. Vou ver se troco por livros, porque de música tou bem servido.
NP: Peter Gabriel, Up - More Than This
Escrito por Rodrigo Leme às 13h28
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COM AS CALÇAS NA MÃO
Estou devendo textos, eu sei, mas tive duas idéias muito chatas de se escrever, pois exigem ou pesquisa ou uma elaboração maior, e juntando isso com meu escasso tempo livre, já viu. Por enquanto, amenidades, começando pelo principal trauma de colégio de muita gente por aí.
Alguém se lembra de uma brincadeira extremamente cretina de abaixar as calças do colega no meio do pátio? Sim, muitos já foram vítimas disso (inclusive este que vos fala), com variados resultados. Choro, agressão, denúncia, interiorização (o que leva a terapia na idade adulta), entre outros.
Era o que hoje os psicólogos enjoados chamam de "bullying", e uma versão tupiniquim do que fazem nos EUA e chamam de "Wedgy", que consiste em pegar a cueca do indivíduo e puxar pra cima, levando a cueca a locais inenarráveis.
O requinte de crueldade era tamanho que (pelo menos no Liceu Eduardo Prado), as vítimas eram pessoas que estavam na cantina, com 1 sanduíche na mão e um refrigerante (ou DanUp) na outra. Se você está lendo esta coluna e está no colégio ou tem um irmaõ lá, especialmente entre a 5ª e 8ª série, dicas de sobrevivência contra esta prática lamentável:
.: Calças com laço interno são sempre bem vindas. Amarre firme, com aquele nó de marinheiro caprichado.
.: Se você for pego com o lanche na mão (como relatado acima), não jogue o sanduíche para o alto, como muitos já fizeram. Procure o balcão, coloque o lanche em cima dele, e levante as calças de maneira serena. Afinal de contas, as pessoas já te viram sem calça, você não é rápido a ponto de levntá-las de novo antes que alguém veja. Mantenha seu lanche, já que a dignidade é caso perdido. Antes ficar com o lanche na mão e as calças no chão que as calças na mão e o lanche no chão.
.: A pior espécie deste bullying é aquela que abaixa as cuecas junto com as calças. Aí, é rezar para deus ter te dado um belo equipamento, pois até serve como propaganda. Algumas meninas nunca vão esquecer da experiência, e se você chegar no colegial com algumas delas, você já tem uma vantagem. Se a natureza economizou no equipamento, chegue em casa e solicite terapia para seus pais. Adiante o expediente, não espere ficar adulto.
.: Assista National Geografic. Entenda a mente do predador. Antecipe um ambiente hostil ou pouco seguro. Se você der sorte de não ser a primeira vítima no intervalo, agarre suas calças. Lembre-se, este tipo de predador é covarde, não ataca vítima "ligada". Coloque as mãos no bolso e dê o devido suporte à sua dignidade.
Próximo capítulo: Futporrada - regras e estratégias.
NP: Pain Of Salvation, Entropia - Stress
Escrito por Rodrigo Leme às 15h24
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MULHER
Homens, como todos vocês sabem, hoje é o dia internacional da mulher. É um dia em 365, nada mal, entao não custa fazermos algumas concessões à nossas companheiras prtadoras de seios. Fiz um guia rápido das concessões, todas simples e de fácil execução; em caso de titubeio, é só repetir "é só por um dia, é só por um dia".
1. Hoje não é dia de secar mulher na rua. É melhor ficar em casa.
2. Evite a piada "a mulher tem um dia para ela porque o homem tem os outros 364". Até porque é ano bissexto, o correto seria dizer que temos 365 dias no ano.
3. Você me ama? Sim. Estou gorda? Não. Sou mais bonita que a Malu Mader? Definitivamente.
4. Cumprimente todas as mulheres que você conhece, mesmo que isso gere aquele famoso comentário "é isso aí, tem que reconhecer mesmo" que te irrita tanto.
5. Esse é um dia em que você pode tentar entender as mulheres. Até mesa redonda está falando delas, então não é como se você pudesse evitar.
6. Não reclame do quanto é difícil desenganchar o sutiã ou a cinta liga.
7. Se precisar ir no supermercado hoje, corra sempre por fora das pratileiras, para evitar discussão com as mulheres que colocam o carrinho atravessado no corredor enquanto comparam marcas de detergente.
8. Assista aquele programa "Saia Justa" da CNT com ela. Evite fazer comentários sobre como as opiniões somadas de Mônica Waldwogel, Rita Lee, Fernanda Young e Marisa Orth tendem ao vazio de idéias; ao invés disso, fique admirando os coxões da Marisa Orth.
9. Defenda a união de lésbicas. De preferência, alugando "O Grelo Falante" na locadora.
10. Ao sair de um estacionamento junto com um carro conduzido por uma mulher, dê todo o tempo para que ela dê a ré, pare no meio do caminho para se olhar no retrovisor, faça a primeira manobra, pare de novo porque ela não gostou do cabelo quando viu no retrovisor, faça a segunda manobra, atenda o celular, faça mais duas manobras extras, porque está tentando dirigir com o celular preso no ombro, desista, volte para a vaga e comece tudo de novo até acertar.
O pensamento do dia de hoje é:
"Nós adoramos as mulheres...inclusive eu acho que o mundo só vai consertar o dia que a mulher tomar o poder, bicho. Tem mais tato, tem mais sensibilidade, tem mais carinho...bom, agora que eu já enchi o ego de vocês, podem arriar as caçolinhas e vamo lá"
(Marcelo Nova)
NP: Camisa de Vênus, Viva - Sílvia
Escrito por Rodrigo Leme às 16h16
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THE GREAT ESCAPE
Estou a partir de hoje com casa nova. Fiquei um tempo longe do blog, procurando emprego (ainda estou, depois posto um link para meu currículo) e agora estou aqui na UOL. Como eles não me contratam para ter um site no portal, vou de blog mesmo. As mudanças estruturais virão com o tempo, mas os textos afiados e cheios de graça e pretensão estão de volta.
Então cuidado com a parede ainda molhada de tinta, com os pregos no chão, as tábuas soltas e os pedreiros mal educados, mas fiquem à vontade.
NP: Planet X, Moonbabies - Interlude In Milan
Escrito por Rodrigo Leme às 16h09
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DISCO GOSPEL DA HORA
Neal Morse - TESTIMONY
Muitas vezes um artista muda de rumo, e isso assusata os fãs. O Genesis passou de uma banda avant garde proressiva para um ato pop de milhões de dólares e pessoas. O mesmo aconteceu com o Yes na sua fase Trevor Rabin, com o Marillion na fase Hogarth, e assim sucessivamente. (*) Estes redirecionamentos causam discusões, bate-bocas, quid pro quos e outros de tipos de agressão não física em pontos de encontro virtuais na internet. Porém, algumas mudanças são mais profundas do que simples sonoridade, causando mais barulho do que o normal.
Parafraseando o dono do bar, na internet não se discute religião, política ou fuebol, que dá merda. Então, imagine o barulho que se faz quando o maior nome do rock progreessivo da terceira onda (não me culpe, eu odeio o rótulo) assume sua veia cristã, e parte de sua banda para projetos de tema puramente cristão. Quando Neal Morse anunciou a saída do Spock's Beard em 2002, a casa de muita gente caiu (inclusive a minha, não nego). Como? Por que? Ainda mais depois de ter lançado o que é uma das obras-primas do rock progressivo de todos os tempos, o duplo SNOW, a decisão pareceu maluca.
Claro que não ajudou ninguém ele dizer que Deus pediu que ele saísse da banda. Isso gerou todo tipo de comentários maldosos e afins. Mas ele foi, e foi trabalhar em silêncio. Devo dizer que fiquei com medo do resultado, principalmente depois que o disco novo do Spock's Beard sem seu compositor me soou muito abaixo do esperado e quase indigno do catálogo da banda.
Eis que Neal aparece com TESTIMONY. E que disco fantástico!!!! Ele supera SNOW em muitos níveis, especialmente na maturidade das composições e na grande complexidade dos arranjos, com orquestra, sax, trumpete, french horn (tem palavra em portugês para isso?), pedal steel e uma série de vozes em coro ao longo do disco.
O disco é duplo, contando a estória de Neal, desde os tempos na Califórnia até encontrar Deus na sua vida. Parece meio meloso, mas as letras (como sempre) são de uma comeptência e beleza bestiais e, mesmo que você não seja um ou não goste de cristãos, tem que admirar as habilidades líricas dele.
Quanto ao instrumental, é o que você espera de uma combinação Spock's Beard + Transatlantic (com pitadas de Neal Morse solo), e mais. Ele se aventura pelo campo do country, do pop a la Beach Boys, das harmonias a la Beatles, um pouco de Kansas ali, um pouco de música latina ali, e o resultado atinge novos picos de perfeição.
O disco ainda conta com a participação de Mike Portnoy, do Dream Theater, na bateria, durante o disco todo, com levadas de extremo bom gosto, e backings decentes. Mike e Neal ainda trabalharam juntos no mterial do disco bônus, com uma cover de Moody Blues ("Forever Afternoon", trocada para "Tuesday Afternoon" no disco) e uma do Blind Faith ("Can't Find My Way Home", trocada para "Find My Way Home" no disco).
A caixa da edição limitada ainda vem com um livreto explicando a evolução do disco em linhas gerais, e a minha ainda veio autografada, o que significa que eu fui um dos primeiros 100 no mundo a pedir o disco. :-) E caso você seja um daqueles que torce o nariz para discos ou temáticas cristãs, ouça o disco, e tente ficar passivo ao chegar em "Oh, To Feel Him":
"And there I stayed while the people prayed until He came in at last I waved goodbye to my past and walked into the kingdom"
Esse é aquele trecho em que toda a ficha do disco cai, musicalmente, vocalmente e instrumentalmente. É de fazer qualquer um dar uma chance para o disco.
(*) Por incrível que pareça, adoro a fase pop do Genesis, a fase Trevor Rabin do Yes e sou muito mais Marillion com Hogarth do que com Fish. :-)
Links Relevantes: Neal Morse Mike Portnoy Spock's Beard
NP: Neal Morse, Testimony - Long Story
Escrito por Rodrigo Leme às 06h07
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THE ESPM YEARS - I
Vasculhando os extensos arquivos de minha produção intelectual, achei muitos trabalhos de faculdade. E, mesmo com muitos trabalhos inspiradíssimos, ainda tinha alguns que me fizeram virar as tripas de tanto rir; lembraram-me a época em que não levava tão a sério o que escrevia.
A menina dos olhos na época da faculdade era a Cinestore. Criada para um trabalho de marketing por mim e pelo Andrada, a Cinestore acabou se expandindo para as outras matérias, com site, logotipo, spots de rádio, comerciais de TV, etc. Para se ter uma idéia da magnitude da loja (megastore com produtos relacionados a cinema), o plano era derrubar o shopping Iguatemi para construí-la. :-)
Segue, como primeiro registro "from the vaults" dos tempos de faculdade, os spots de rádio da Cinestore:
1 - Indiana Jones
(trilha sonora: tema do filme, com o som de cobras)
INDIANA: Cobras . . . Eu odeio cobras . . . mas adoro a CineStore. Agora não preciso mais bancar o arqueólogo para encontrar aquele poster, ou aquele filme, ou para ver meus atores e personagens favoritos.
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
2 - Guerra Nas Estrelas
(Trilha do Guerra...)
DARTH VADER: Venha para o lado negro da força, Luke. LUKE: Não, agora eu posso comprar tudo sobre cinema na CineStore. DARTH VADER: Lá tem lugar para eu estacionar a estrela da morte? LUKE: Sim, tem estacionamento. DARTH VADER: Então o que estamos esperando? Vamos!
(trilha de "O Império Contra Ataca")
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
3 - Rain Man
RAYMOND: Ahhh... CineStore... CineStore... TOM: Quieto, Raymond! RAYMOND: Lá tem 18327 CDs de trilhas sonoras de filmes, 32257 filmes em vídeo e DVD... TOM: Já chega, Raymond!
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
RAYMOND: Quem está na primeira base?
4 - Pulp Fiction
(trilha)
- Ei, já ouviu falar daquela loja que vende só produtos relacionados a cinema? - A CineStore? - É, essa mesmo. - Que tem ela? - Sabe como ela é chamada na França? - Não. - Le CineStore. - Sai dessa! - É sério!
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
5 - . . . E O Vento Levou . . .
(trilha)
SCARLETT: Oh, Rhett, o que lhe traz aqui? RHETT: Eu vim para lhe falar desta loja nova, a CineStore. Ela vende produtos relacionados a cinema, e tem também um restaurante temático. SCARLETT: Um restaurante? RHETT: Sim, Scarlett. SCARLETT: Oh, meu Deus! Jamais passarei fome outra vez!
(trilha principal)
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
6 - Star Trek
(trilha)
KIRK: Sr. Spock, onde nós estamos? SPOCK: Chama-se CineStore. Ela vende produtos relacionados a cinema, como posters, livros, filmes em vídeo, CDs de trilhas sonoras . . . KIRK: E o que você recomenda, Spock? SPOCK: A atitude mais lógica a seguir é comprar os produtos da loja. KIRK: Então vamos.
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
7 - Forrest Gump
(Trilha: "Turn, Turn, Turn", do Byrds)
FORREST: Meu nome é Gump, Forrest Gump. Eu vim do Alabama. As pessoas me chamam de Forrest Gump. Minha mãe diz que comprar na CineStore é como uma caixa de chocolates: você nunca sabe que novidade ela vai estar vendendo. Tem CDs, filmes, posters, e até um restaurante. Agora, eu preciso ir. Eu vou correndo para a CineStore.
LOCUÇÃO: CineStore. Av. nonono, nº 66
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NP: The Tangent, The Music That Died Alone - Night Terrors Reprise
Escrito por Rodrigo Leme às 16h32
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DOMINGO NÃO TÃO MAIOR
A Globo sempre transmitiu, em seus fins de domingo, o Domingo Maior. Vem depois do Fantástico, e sempre com um filme de ação. Embora hoje em dia os filmes sejam de menor qualidade (com os Steven Segal, Dolph Lundgren e por aí vai da vida), houve uma época, no começo dos anos 90, em que os filmes eram clássicos da ação. Eram filmes sem grandes discussões filosóficas, vilões afetados, com grandes planos de dominar o mundo. Não, eram filmes em que a genialidade estava em sair matando gente má, e não levar desaforo para casa.
E dentro dessa programação de filmes, um ator se destacava. Com seu bigode mexicano, seus olhos orientais, sua expressão dura como pedra, e um uso mínimo de palavras, este homem encarnava o verdadeiro espírito do justiceiro. Obviamente, não podia falar de outro senão o monstro Charles Bronson, falecido semana passada, no dia 2 de setembro.
Charles Buchinsky nasceu em 1921, e passou 20 anos (desde 1951), fazendo papéis coadjuvantes em grandes filmes, como "Sete Homens E Um Destino" (The Magnificent Seven") e "Os Doze Condenados" ("The Dirty Dozen"). Passou a estrelar filmes dirigido por monstros como Sergio Leone, em "Era Uma Vez No Oeste" ("C'era Una Volta Il West"), até chegar em 1974, quando "Desejo De Matar 1" trouxe o clássico Charles Bronson, e a imortalidade cinematográfica.
Um mestre para toda uma geração de fãs ávidos por ação, uma lenda dos faroestes e filmes policiais, Charles Bronson encarnava aquele desejo que todos nós no fundo temos: de fazer justoça sem esperar a justiça. Como somos brasileiros, estamos mais em sintonia com esse tipo de mensagem, mas a sinfonia de vingança de Bronson era universal, tocada pelas batidas de um 38 e orquestrada por uma frieza incomparável. Paul Kersey, seu personagem da série "Desejo de Matar" ("Death Wish") é até hoje o ícone maior dos domingos à noite na Globo, vingando sua família, destroçada pela morte da esposa e o estupro da filha.
A série trouxe momentos memoráveis, repletos de crueldade, sangue e tempero implacável. Ninguém que já viu Desejo de Matar III esquecerá da cena em que Paul Kersey fulmina o último dos bandidos com um disparo de bazuca, a uma distância de 20 metros. Não existia impunidade neste universo de Charles Bronson, e cada vitória sua tinha momentos de fino senso de humor, como em uma de suas declarações sobre o porquê da fama ter demorado tanto a chegar: "talvez (eu) seja muito masculino. Os diretores procuram atores seguindo sua própria imagem. Talvez (minha imagem) não corresponda ao ideal de ninguém".
Charles Bronson era a prova de que uma interpretação nem sempre é recheada de expressividade, mas sim de atitude. O cinema perde não um rapaz bonzinho que conquista a arota no fim; não é um mocinho que não se suja, joga pelas regras e leva o bandido à justiça; mas sim um personagem que já sai perdendo, e joga as regras para o alto, para derrubar os bandids a todo custo. No mundo de Charles Bronson, se levou bala, é porque merecia. E ninguém pede mais do que isso no mundo de hoje.
Rest in peace, you sweet, ugly man. 
Principais filmes de Charles Bronson
1951 - "A um passo do fim" (The People Against O'Hara) 1953 - "Museu de Cera" (House of Wax, ainda como Charles Buchinsky) 1954 - "Massai, o último guerreiro Apache" (Apache, ainda como Charles Buchinsky) 1954 - "Vera Cruz" (Vera Cruz) 1956 - "Ao Despertar Da Paixão" (Jubal) 1958 - "Dominados pelo Ódio" (Machine Gun Kelly) 1960 - "Sete Homens e um Destino" (Magnificent seven) 1961 - "Robur, o Conquistador do Mundo" (Master of the World) 1967 - "Os Doze Condenados" (The Dirty Dozen) 1968 - "Adeus amigo" (Adieu l'ami) 1969 - "Era uma vez no Oeste" (C'era una volta il west) 1969 - "O Passageiro da Chuva" (Le passager de la pluie) 1974 - "Desejo de Matar" (Death Wish) 1976 - "Cinco dias de Conspiração" (St. Ives) 1980 - "Caboblanco" (Caboblanco) 1981 - "Desejo de Matar 2" (Death Wish II) 1984 - "Justiça selvagem" (Evil That Men Do) 1985 - "Desejo de Matar 3" (Death Wish 3) 1986 - "O Vingador" (Murphy's law) 1987 - "Desejo de Matar 4: Operação Crackdown" (Death Wish 4: The Crackdown) 1989 - "Kinjite: Desejos Proibidos" (Kinjite: Forbidden Subjects) 1994 - "Desejo de Matar 5" (Death Wish V: The Face of Death) 1999 - "À Queima-roupa 3" (Family of Cops III)
NP: KarmaKanic, Entering The Spectra - Space Race #3
Links Relevantes: Charles Bronson (o site mais perto de oficial que encontrei - meio desatualizado)
Escrito por Rodrigo Leme às 16h37
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DISCO DA HORA
Kevin Gilbert - THE SHAMING OF THE TRUE
"Do we all agree Luck knows no justice at all?" (Best Laid Plans)
Esse lance da genialidade é complicado. Às vezes, o maior canalha passa por gênio porque passou desta para melhor, às vezes o artista excelente que dá o azar de continuar vivo não recebe o que merece. Kevin Gilbert transita entre esses dois mundos: morreu, é um gênio, mas nem assim é reconhecido. Você já ouviu falar de Kevin Gilbert? Provavelmente não, certo? E de Tina Turner? Michael Jackson? Sheryl Crow? Pois bem, Kevin Gilbert compôs, produziu e executou música para todos estes e mais. Ele ganhou até mesmo um Grammy, e porque você nunca ouviu falar dele?!!?!?!?!
Recebi hoje o disco póstumo dele, THE SHAMING OF THE TRUE (que antes só tinha em CDR), disco que figura no top 3 de tudo que já meti os ouvidos na vida. A estória, a produção, as músicas, é tudo de uma beleza, uma fluência sobrenatural. Nem a morte dele, deixando o disco inacabado, tirou o brilho do trabalho, concluído por dois amigos; um deles é Nick d'Virgilio, baterista do Spock's Beard. A dupla trabalhou de 1996 (ano da morte de Kevin Gilbert) até 1999, quando o disco foi lançado.
Em uma estória quase auto-biográfica, Kevin fala da vida de Johnny Virgil, garoto que ascende ao sonho de ser rock star, e depois luta contra demônios e tentações de ser uma estrela e se decepciona com o lado metódico e business da música, encontrando paz apenas quando abandona tudo e cai no esquecimento. Apesar de não ser a premissa mais original de todos os tempos, cada letra do tSotT é um pedaço de poesia, escrita por alguém que realmente viveu conforme cada linha escrita no papel. Acompanhando as letras, o encarte ainda conta com ilustrações primorosas, que visitam cada uma das letras.
Ainda quanto a apresentação, alguns momentos são memoráveis, como em "Certifiable #1 Smash", em que um diretor de marketing da gravadora fala sobre os elaborados planos de promoção, incluindo o absurdo videoclip, momento do disco em que Kevin Gilbert brinca com Deus, sexo, violência, hipocrisia, colocando suas críticas pessoais na terceira pessoa; ou então em "Suit Fugue (Dance Of The A&R Men)", onde as diversas ligações que Johnny recebe de executivos de gravadora são representados por diversas vozes, atuando em contraponto: em tons diferentes, tempos diferentes, se multiplicando no telefone de Johnny (a figura que ilustra esse trecho do disco, representando os executivos ao telefone, é uma das melhores; ver ao lado).
Musicalmente, é uma combinação de todos os estilos possíveis; mas no fundo é uma obra-prima de música pop, apesar de alguns momentos que não podem ser definidos em rótulos de estilo, como "Ghetto Of Beautiful Things". A instrumentação, grande parte nas mãos de Kevin Gilbert, é sublime, casando perfeitamente com seu vocal típico de quem sabe dosar momentos de pura beleza ("A Long Day's Life") com a ferocidade de quem vive uma estória ("The Best Laid Plans").
Uma pena que Kevin Gilbert tenha morrido e nem assim as pessoas pararam para prestar atenção em seu talento. Mas THE SHAMING OF THE TRUE foi um daqueles momentos da vida que chamo de 'baque', onde tudo que ouvi antes ficou pequeno por alguns instantes, e que até hoje em dia ainda me surpreende. Vale a pena conhecer o trabalho; assim como eu, você vai terminar desejando que ele ainda pudesse estar compondo.
NP: Kevin Gilbert, The Shaming Of The True - A Long Day's Life
Links Relevantes: Kevin Gilbert Spock's Beard
Escrito por Rodrigo Leme às 08h39
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CQD
Para a cambadinha de inúteis que me deixou missivas de amor no e-mail e nos comentários do blog depois que falei do Trouxa Mob, uma nota da Globonews:
"Ninguém apareceu nesta segunda em frente ao Hospital do Fundão para participar do primeiro "flash mob" social brasileira. A "flash mob" pretendia reunir doadores de sangue para aquela unidade de saúde, em que tem havido queda de até 70% no número de doadores nos últimos meses."
Por favor, respostas para meu e-mail e na caixa de comentários. Afinal, pessoas que apoiam Trouxa Mobs tem tempo de sobra para discutir comigo...
NP: Dream Theater, Awake - The Mirror
Escrito por Rodrigo Leme às 15h52
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De volta à rotina de dar aulas particulares, tenho mais tempo para atualizar a coluna que já é sucesso em todos os antros virtuais desse país, a revolução em termos de informação virtual, a mania de 1 em cada 1 leitor deste blog...
MISTÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉRIOS DO COTIDIANO Acachapante episódio de hoje: We've got nothing better to do...
Lendo as notícias ontem, me lembrei de uma música famosa do Black Flag, chamada TV Party. Os preguiçosos da década de 70 e começo dos 80 tinham como ícone máximo a TV. Quando não se tinha mais o que fazer, a TV era a melhor (senão única) saída do preguiçoso (ou você acha que foi uma pessoa cheia de energia que inventou o controle remoto?).
A música do Black Flag falava de um grupo de amigos que estava vadiando em um sábado a noite, e decidiu ver TV e beber cerveja. A letra era algo como "we've got / nothing better to do / than watch TV / and have a couple of brews".
Bom, para que essa introdução toda? Vamos falar dessa praga que se chama Flash Mob, o novo manifesto da falta de algo melhor para fazer. Veja bem, o novo oásis do preguiçoso, do desocupado, é a internet, e como os desocupados não podem se reunir em torno de um só computador, fazem manifestações para mostrar ao mundo a força do ócio.
Flash mob nada mais é que um monte de gente que se reúne em um ponto da cidade, em um determinado momento, e vai embora correndo (provavelmente de vergonha). O que é divulgado como uma "nova ferramenta comunitária proporcionada pela internet", não passa de um teste de aptidão nerd ou no máximo uma ode ao nada melhor para fazer.
Óbvio que como aqui é o Brasil, além dos vagais que cabulam trabalho para fazer isso, nada é feito direito. A multidão, que deveria se dispersar após a manifestação na Paulista, ficou para dar entrevistas. Óbvio, deve ser lindo vadiar e ainda descolar aparição na TV...até o líder do movimento parou para dar entrevistas e dizer que as pessoas não estavam certas em dar entrevistas, devido à natureza supostamente complexa do nerdfest.
Como aqui no Brasil tudo tem que ter profundos significados semióticos e psicológicos, o líder do grupo me solta uma dessas: "para nós, do grupo ARAC (nota: não pergunte, não pergunte), trata-se de fazer algo artisticamente não justificável, aparentemente inútil, como talvez a própria arte em si." Ah, para ô!!!
Ah sim, como são as manifestações? A do Brasil consistia em, às 12:40, atravessar um farol na Paulista, tirar o sapato e bater no chão, como que para tirar areia. Profundo, não? O trabalho vai bem, obrigado...as demais, ao redor do mundo (vagabundagem é globalizada) variavam: entrar em uma loja de sofá e ligar para os amigos, recomendando os produtos; aplaudir dinossauro de brinquedo; brincar de roda...
Segundo alguns desses grupos ao redor do mundo, a intenção é mover para manifestações de cunho social e político. Tirar areia do sapato na Paulsita é um belo começo...
Links: ARAC (yikes!) Blogger do Flash Mob
Escrito por Rodrigo Leme às 05h57
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INFERNO EM FESTA RECEBE NOVO MORADOR
OITAVO CÍRCULO - O inferno está em festa. Após uma longa espera, um dos mais queridos filhos de Satã, o jornalista Roberto Marinho, finalmente chega em casa. Largas faixas com dizeres como "até que enfim", estávamos com saudade", "bom trabalho" estão estendidas, a fanfarra fez um excelente trabalho, mais pecadores foram jogados no fogo, tudo para receber um dos filhos mais iulustres do Coisa-Ruim.
E não era só o Príncipe das Mentiras que aguardava a chegada de Marinho; antigos colegas de profissão e ex-funcionários também estão agitados com a volta do companheiro: "o Dr. Roberto merece ser recebido com todas as honras. Os serviços prestados para esta organização foram únicos no mundo", dizia um empolgado Paulo Francis.
O Senhor das Trevas também não consegue esconder a emoção de rever o filho pródigo: "o Robertinho é o tipo de filho que deixaria qualquer pai orgulhoso. Ainda estou pensando onde vamos fazer a casa dele se na Vala dos Hipócritas, dos Ladrões ou dos Corruptos, mas ele vai ter um lar digno de um de meus filhos mais queridos. Não consigo dizer o quanto estou feliz dele chegar assim de surpresa, justo no dia dos pais", falava o Cramulhão, mal conseguindo conter as lágrimas.
Mas nem tudo é festa nas portas do Limbo. Na próxima segunda-feira, uma série de reuniões tomará o tempo de Mefistófeles, tudo por conta do retorno de Roberto Marinho: "com a chegada dele, precisamos trabalhar em um novo representante no Brasil. O novo escolhido terá uma grande responsabilidade, pois o trabalho do Dr. Roberto foi impecável", dizia o burocrata-chefe, já passando por uma listagem de bebês aptos a se tornarem o representante do Inferno no Brasil.
Mas o futuro do Inferno não é o assunto do momento. Uma coletiva de imprensa foi marcada para a próxima semana, mas das poucas palavras que Roberto Marinho pronunciou desde sua chegada, uma frase serve de destaque: "meu patrimônio já está construído, meu trabalho está completo, não sou mais necessário; enquanto as Organizações Globo existirem, o Inferno terá um pedaço na Terra".
Escrito por Rodrigo Leme às 06h05
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